Andrew Wiggins consegue marcar pontos, mas não significa que ele seja bom


Fonte: Star Tribune

Andrew Wiggins teve 23,6 pontos de média em 2017, quando tinha 21 anos de idade, apenas 14 jogadores na história da NBA fizeram isso. Nomes como Michael Jordan, LeBron James e Shaquille O’Neal fazem parte dessa lista, fatos como esse fizeram o canadense receber a extensão salarial de 145 milhões de dólares por cinco anos dos Timberwolves, ele é um dos maiores pontuadores na história da franquia, sua capacidade de marcar pontos é inegável, mas até hoje eles não significaram nada.
É fácil deixar-se levar pela ideia do que Wiggins deveria ser: um ala super atlético, versátil na defesa e terror para os oponentes. Pelo menos era o que se esperava dele, mas o canadense não confirmou nada além de seus atleticismo. Ele desaparece em quadra por diversos momentos, não tenta defender e não é eficiente no ataque. Os Wolves precisam dele se quiserem chegar até os playoffs, até por isso estão pagando seu salário astronômico, e Wiggins continua a decepcionar.

Os Números

Para entender o motivo das críticas feito à ele é preciso analisar além das estatísticas ‘normais’ de jogo. Primeiro vamos analisar a projeção de carreira feito pelo FiveThirtyEight:


A direita podemos ver o número de vitórias acima de um jogador mediano, ou seja, se substituirmos Wiggins por um jogador mediano qual impacto causaria no número de vitórias da equipe. A resposta no caso dele é que se os Wolves não tivessem ele teriam 0,1 vitórias a menos, diferença insignificante.
Fora isso, ele é projetado pelos próximos anos para ter o desempenho de um titular mediano dentro da NBA. O que representa um valor de contrato de 66,5 milhões de dólares pelos próximos cinco anos segundo a avaliação estatística, isso significa que Minnesota está pagando 78,5 milhões acima de seu valor real, acabando com a flexibilidade financeira da franquia.
Podemos notar a mesma má avaliação feita pela diretoria do clube ao analisarmos outras estatísticas. Em seus cinco anos de carreira os Timberwolves foram piores com ele em quadra em quatro segundo o Net Rating (diferença entre a eficiência do ataque e defesa quando o jogador esta em quadra).
  • 2018: +3,5 pontos
  • 2017: -0,2 ponto
  • 2019: -1,2 pontos
  • 2016: -1,3 pontos
  • 2015: -9,7 pontos
Mesmo que Net Rating seja influenciado por outros fatores como o número de vitórias da equipe e seus companheiros, se compararmos os números de Wiggins com Karl-Anthony Towns podemos notar a diferença entre os dois:
  • 2018: +6,1 pontos
  • 2019:+0,9 ponto
  • 2017: -0,3 ponto
  • 2016: -2,5 pontos
É normal rookies serem negativos quando entram na liga, já que estão se acostumando a NBA e geralmente chegam em equipes ruins, os dois não são diferentes. Porém KAT supera seu companheiro de equipe durante quase todos os anos, seu auge foi maior que Andrew, seu ponto mais baixo também foi melhor e mesmo com os Wolves ganhando apenas 36 jogos ele manteve seu Net Rating positivo.
“Okay, Andrew Wiggins pode não ser uma estrela e receber mais do que deveria, mas ele ainda é um bom jogador…certo?”
Bem, não exatamente.
Durante os seus cincos anos na NBA ele vem postando números abaixo da média em arremessos em quase todos eles. Só em 2019 suas porcentagens em bolas de três, lances livres, eFG% (uma porcentagem de arremesso avançada) e arremesso de quadra foram todas abaixo da média:
  • Andrew Wiggins: 33,9% 3 pontos/41,2% em arremessos/69,9% lances livres/46,1 eFG%
  • NBA: 35,5% 3 pontos/46,1% em arremessos/76,6% lances livres/52,4 eFG%
Para encerrar a parte estatística vamos analisar mais um fator importante na distinção de um jogador bom para ruim: Valor sobre o jogador substituto (VORP). O que é isso? É a métrica que analisa o valor que um jogador traz para sua equipe em relação a um substituto na NBA. O atleta perfeitamente mediano não adiciona valor nenhum para sua equipe, então o seu VORP é 0.
Os valores abaixo representam o VORP de Wiggins em cada ano de sua carreira:
  • 2015: -0,2 ponto
  • 2016: -0,1 ponto
  • 2017: -0,6 ponto
  • 2018: -0,4 ponto
  • 2019: -0,6 ponto
Durante toda sua carreira ele foi inferior a um jogador substituto na NBA, apesar da diferença ser pouca em todos os anos colocá-lo em quadra representou que os Wolves estavam perdendo na valor naquela posição. Em termos de comparação esses são os números de Towns:
  • 2016: 3,2 pontos
  • 2017: 5,3 pontos
  • 2018: 5,5 pontos
  • 2019: 5,7 pontos
Apesar dessa comparação parecer injusta, ela é válida devido a situação e expectativas colocadas sob os dois jogadores em suas carreiras. Ambos deveriam comandar a franquia para os playoffs, não muito tempo atrás Minnesota tinha o melhor núcleo de jovens na NBA e muito era graças aos dois. Enquanto KAT já foi selecionado para All-NBA uma vez e outras duas como All-Star Wiggins ainda não deslanchou como se esperava.
Andrew ainda é jovem ( 24 anos) o suficiente para mudar a trajetória de sua carreira, mas geralmente quando se chega ao quinto e sexto anos na NBA é difícil mudar completamente. Ele nunca vai atingir o que se era esperado quando jogou por Kansas, o que deve se esperar de sua carreira nesse momento é sua evolução para bom titular ou se tornar um sexto homem, saindo do banco para pontuar em volume.

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